Porque Bolsonaro será eleito presidente em 2018

Ainda faltam mais de sete meses paras eleições gerais deste ano. Porém, com os últimos acontecimentos e o desenrolar do ano, é possível dizer com grau de certeza elevada: Jair Bolsonaro subirá a rampa do Palácio do Planalto e tomará posse como Presidente da República, no dia 01 de janeiro de 2019. Este texto pretende apresentar, de forma sucinta, as razões que nos levam a colocar o “mito” como grande favorito na próxima corrida presidencial.
Antes de tratarmos dos pormenores da eleição, faz-se necessário contextualizar o momento brasileiro. Passamos por uma grave crise econômica, que foi debelada faz pouco tempo, e estamos atravessando uma grave crise política e ética, com os grandes partidos e suas lideranças envolvidos em escândalos de corrupção. Na esteira disso, há uma crise social, com grande aumento da criminalidade, a olhos vistos em estados brasileiros, como Ceará e Rio de Janeiro. Também é traduzida no altíssimo número de homicídios registrados no ano de 2016: quase 62 mil, o país com mais homicídios no mundo.
Por outro lado, um dos pontos positivos é a grande quantidade de brasileiros com acesso à internet: 116 milhões, de acordo com o IBGE. Além disso, mesmo que ainda baixo em comparação a outros países, a quantidade de brasileiros com ensino superior cresceu e atingiu 15% no final de 2017, também segundo o IBGE. Seguimos na condição de país jovem, com quase metade da população tendo menos de 35 anos.
Isto posto, vamos ao cenário eleitoral. Bolsonaro será eleito por quatro fatores: a eleição ter viés oposicionista, ausência de candidatos viáveis, forte apelo por propostas de Segurança Pública e influência das redes sociais. Iniciamos nossa análise pelas investigações em relação à corrupção fulminaram a (já anêmica) confiança da população nos partidos políticos e estenderam uma rejeição generalizada às legendas. Lideranças, antes tidas como potenciais presidenciáveis, sumiram do mapa. Para complementar, o governo Temer é rejeitado por 70% da população, tendo menos de 5% de aprovação.
O único sobrevivente desse maremoto político era o ex-presidente Lula. Mesmo com inúmeros inquéritos, processos e condenação, ele se mantinha com mais de 30% das intenções de voto e batia todos os adversários no segundo turno, de acordo com as pesquisas. Mas suas ambições foram dinamitadas em janeiro, quando o TRF-4 confirmou sua condenação e o tornou inelegível. Sua prisão está prestes a ser decretada, visto que o STF não deve revisar a prisão após condenação em segunda instância tão cedo.
Com Lula fora do páreo e preso, o PT deverá abdicar de sua candidatura. E deverá lançar um candidato, sem se coligar com Ciro Gomes (PDT), por exemplo. Além deles, a oposição deverá contar com outras candidaturas, com todos buscando herdar o espólio de Lula. O eleitorado que votaria em Lula, o faria, principalmente, por um motivo: a esperança de que com o petista na Presidência, o Brasil voltaria a passar por momentos bons como em seus dois mandatos anteriores.
Os votos lulistas serão divididos entre os diversos candidatos oposicionistas, mas com a maior parte devendo migrar para Ciro. O cearense tem boa oratória, experiência política e um perfil autêntico, do tipo “fala o que pensa”, além de ter sua base eleitoral no Ceará, estado nordestino com visibilidade para o restante da região. Em uma eleição polarizada, como esta que se desenha, são características importantes, capazes de levar um candidato ao segundo turno. Mas insuficientes para elegê-lo no turno final.
A ex-senadora Marina Silva, que não é de campo nenhum, mas é de todos ao mesmo tempo tende a não conseguir passar ao turno final mais uma vez. O motivo é simples: Marina tenta fugir da polarização, mas a polarização domina o ambiente eleitoral. Sendo assim, ela não consegue conquistar nem governistas nem oposicionistas, e agora nem mais o voto de protesto. Deve permanecer em um patamar entre 10 % e 15%, como indicam as pesquisas, com seus eleitores se dividindo no turno final.
Já no campo governista, nenhum dos nomes se mostra viável nas pesquisas pelos motivos já elencados: corrupção e associação com Temer. Alckmin, Meirelles, Dória, Rodrigo Maia e o próprio Temer não conseguem decolar nas pesquisas. É praticamente impossível um governo tão impopular ganhar terreno em ano eleitoral a ponto de viabilizar uma candidatura, ainda mais com a recuperação econômica patinando. Temer funcionará como uma âncora para os candidatos desse espectro político.

Estável, governo de Michel Temer é reprovado por 70% dos brasileiros
O único com viabilidade para concorrer por este campo seria Luciano Huck. O global teria condições de formar uma aliança de partidos em torno de sua candidatura, sendo bastante conhecido e um outsider da política. Poderia, inclusive, herdar parte razoável dos votos de Lula, daqueles eleitores mais pobres, que aprovam os quadros assistenciais de seu programa televisivo. Porém, o apresentador negou a empreitada.
Desta forma, o espaço do governista deverá ser ocupado por um “oposicionista”: Jair Bolsonaro. O deputado já lidera as pesquisas quando Lula está fora do páreo e herda parte dos votos do ex-presidente. Ele também é o favorito de eleitores mais escolarizados, um sinal de que o eleitorado tradicional do PSDB está migrando de candidatura. Tem forte discurso em relação à Segurança Pública, defendendo pautas que tem amplo apoio popular, como a redução da maioridade penal e a pena de morte. Apesar de estar há 26 anos no Congresso, é visto como um outsider, por não aparecer em escândalos de corrupção. Também é um fenômeno de redes sociais, com maior número de seguidores entre os postulantes à Presidência.

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Mesmo sem tempo de TV e fortes alianças regionais, Bolsonaro compensa com o forte engajamento de sua militância na Internet. Pesquisa do IBOPE publicada em 2017 apontou que, para 56% dos eleitores, as redes sociais terão influência decisiva no voto. Além disso, o candidato adotou uma plataforma liberal na economia, o que deve fazer setores do mercado apoiarem sua candidatura num eventual segundo turno com Ciro Gomes. Há maior espaço para defender ideias liberais, sobretudo em um momento em que boa parte das estatais estão no centro de escândalos e a população anseia por uma redução na carga tributária.
Bolsonaro deve vencer o 1º turno, com Ciro Gomes no segundo lugar. No turno final, Ciro deverá reunir quase todos os votos de candidatos oposicionistas, enquanto Bolsonaro vai herdar a maior parte de votos dos candidatos governistas, pelos motivos já expostos, mesmo que estes não venham a apoiá-lo. O placar do segundo turno será apertado, no mesmo estilo de 2014. Mas, no frigir dos ovos, o programa liberal na economia e conservador nos costumes será o mix perfeito do ex-capitão do exército para conquistar o eleitorado.

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